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terça-feira, 3 de junho de 2008

Bocas de Lirio para BARULHO

BOCA DE LÍRIO


Nas bocas do mundo tem um pouco de tudo.


Bocas debochadas

Contam os podres

E nos fazem torpes.


Bocas de beijar

Mamar e amar

Com a voz do silêncio.


Bocas tristes, atadas

Choram o som

Das árvores cortadas.


No fundo das bocas tem delírio,

Tem cheiro

De lírio.


Bocas defloradas

Podem escolher

Seu impacto.


Nas bocas da floresta coexistem o bem e o mal.


Bocas e bocas

Puxam

Milhares de assuntos.


E a gente vive e morre pelas bocas.

domingo, 25 de maio de 2008

Formas Limitadas da Natureza

As formas limitadas da natureza
Se distribuem
Em tantas situações diferentes.

Olho uma folha
E vejo a forma de um macaco,
E a bolacha do mar
Tem uma flor desenhada.

Tem flores que parecem borboletas,
E asas de borboleta
Parecem uma paisagem completa
Com árvores, montanhas e cachoeiras.

Tem pedras que parecem um perfil humano.
E nas nuvens cabe um zoológico inteiro.

São ilimitadas as formas limitadas da natureza:
Reprodução, desenho, bolhas
ao infinito.

As Mãos e o Mundo

Esse terremoto em minhas mãos,
Não é à toa.

Meu corpo treme também,
Por querer,
Acariciar, socar,
Na terra da vodca,
De todos os terremotos do mundo

Conturbado, confuso, universo,
Me treme a mão.
Derrubo todos os copos que encontro,
Os corpos que o cosmos encontra.

Por isso, quando beijo não me concentro,
Por que a terra gira,
Enquanto o mundo roda.